Sábado, Setembro 11, 2004

Nunca irás saber

Não há uma folha de papel por perto.
Nada reflecte o branco que agora trago nos olhos, sem o verde que o acompanha. Até parece que se perdeu num incêndio, e em vez de negro se tornou branco...nunca fui de seguir pegadas.

Não encontro nem um punhado de areia nos bolsos, para a poder espalhar pelo chão e com um qualquer objecto seguir umas linhas traçadas pelo vento que vem de Sul, árido...usado...como eu.

Não trago caneta no carro para não me matar. Estão todas sem carga, apenas para ao sair, me poder enganar e não me render a uma necessidade inegável de voltar para trás e alguma trazer.

O céu está sem nuvens. Negro pela chuva. Azul como o mar. Não lhe encontro cores. Provo um pouco...não lhe encontro sabores. Apenas uma amarga sensação de dissabor.

O telemóvel sem carga para não te conseguir ligar.

Todo o mundo conspira quando realmente queres alguma coisa. Pelos vistos é o destino. Seja lá o que isso for. Qualquer que seja o significado dessa mentira. Não estou destinado a amar-te.

Embora agora tenha a coragem de te dizer, também não tenho maneira de o fazer.
Mais uma vez, vais ficar sem saber.